"Não quero saber do lirismo que não é libertação"
Poética
Manuel Bandeira
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Soneto dos Vinte Anos. Ou cópia descarada

>> quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Transcrevo aqui um poema que saiu da pena imortal, posto que é membro da ABL, de Lêdo Ivo, poeta que conheci depois de assistir a uma excelente entrevista no canal Globo News.

SONETO DOS VINTE ANOS

Que o tempo passe, vendo-me ficar
no lugar em que estou, sentindo a vida
nascer em mim, sempre desconhecida
de mim, que a procurei sem a encontrar.


Passem rios, estrelas, que o passar
é ficar sempre, mesmo se é esquecida
a dor de ao vento vê-los na descida
para a morte sem fim que os quer tragar.


Que eu mesmo, sendo humano, também passe
mas que não morra nunca este momento
em que eu me fiz de amor e de ventura.


Fez-me a vida talvez para que amasse
e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento,
trazendo a aurora para a noite escura.

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Desperado – A Balada do Pistoleiro

>> segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Soy un hombre muy honrado,
Que me gusta lo mejor
Las mujeres no me faltan,
Ni el dinero, ni el amor

Jineteando en mi caballo
Por la sierra yo me voy
Las estrellas y la luna
Ellas me dicen donde voy

Ay, ay, ay, ay
Ay, ay mi amor
Ay mi morena,
De mi corazón

Me gusta tocar guitarra
Me gusta cantar el "song"
Mariachi me acompaña
Cuando canto mi canción

Me gusta tomar mis copas
Aguardiente es lo mejor
Tambien el tequila blanco
Con su sal le da sabor
(Morena de mi corazón, cancíon Del Mariachi)

Ok, todo mundo já viu esse filme algumas vezes dado a quantidade de reprises, inclusive agora enquanto escrevo está a passar mais uma dessas reprises.

O filme é um desses que se constrói deliberadamente a partir de clichês, brinca com os estereótipos latinos do herói problemático que se põe a desafiar ricos e poderosos criminosos a margem da lei e seus agentes vistos como igualmente malévolos.

O filme captura bem uma aura de realismo fantástico ao incluir inverossímeis seqüências de ação em um contexto absolutamente corriqueiro, cotidiano. De certo é um filme que venera as influências de seus autores e denuncia por vias cômicas os clichês sobre os quais é construído.

Há seqüências e frases geniais, como genial é o fato da personagem principal, o herói arquétipo (inspiradamente interpretado pelo espanhol Antonio Banderas) não ter um nome, ele simplesmente é o “El Mariachi”.

A certa altura o Mariachi faz uma oração que mostra a dualidade dessa personagem que mata em busca de vingança, mas que sofre para justificar isso moralmente ele diz: “Give me the strength to be what I was, and forgive me for what I am.” Que numa tradução livre pode ser entendido como “Dê-me a força para ser o que já fui, e perdoe-me por ser o que sou”.

A redenção, como era de esperar num conto que brinca com o imaginário machista da região está em uma mulher que simboliza a um só tempo tudo que esse pensamento deseja numa mulher e tudo que tem repulsa que é a voluptuosa Carolina.

De fato uma obra despretensiosa que objetiva divertir, mas ainda assim é uma peça cinematográfica que toca em questões relevantes, com excelentes participações especiais como a Quentin Tarantino. Se não bastasse isso outra atração é a linda Salma Hayek e seu icônico salto sobre um ônibus juntamente com Antonio Banderas.

Um filme onde de fato o cotidiano é fantástico.

Para maiores informações visite a página do filme no IMdB. 

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Um pouco de lirismo que é libertação

>> terça-feira, 27 de julho de 2010

"[...]What though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendor in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind. [...]"

Ode: Intimations of Immortality from Recollections of Early Childhood de William Wordsworth

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Mi Buenos Aires Querido

>> sábado, 24 de julho de 2010

Mi Buenos Aires querido,
cuando yo te vuelva a ver,
no habrá más penas ni olvido.
(Carlos Gardel e Alfredo Le Pera)

Eu e minha mãe na Plaza de Mayo em março de 2006.
Estou com saudade dessa que é minha cidade favorita, fora minha Brasília, falo é óbvio de Buenos Aires. Para alguém que como eu tende a trocar o dia pela noite, nada como efervescência noturna ‘porteña’ cidade em que é fácil ver idosos e crianças perembulando pelas ruas da capital aproveitando a vida cultural, os restaurantes e os bons ares da cidade.

Que vontade de comer um belo asado de tira, com vinho Malbec e depois cismar observando o ir e vir dos moradores e turistas aproveitando uma bela cerveza iguana.

Quantas histórias tenho nessa cidade que já não visito a tempo demais. Se você quer ir a um lugar para aproveitar o cotidiano fantástico, visite Buenos Aires e se puder vá além dos inúmeros pontos turísticos guarde um tempo para explorar a cidade e observar aquele dia-a-dia que consegue ser a um tempo só exótico e familiar.

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Um post para Mamulengo

>> segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ando saudosista nos últimos dias, sem que isso tenha me levado a tristezas ou crises existenciais, mas tenho me lembrado das boas histórias do meu tempo na UCB.

Todo grupo de amigos sempre tem um que é mais empolgado e barulhento, alguém que é impossível não notar sua presença. Pois bem nos meus tempos na Católica havia alguns membros de nosso grupo que eram assim, mas um se destaca.

Mamulengo, vulgo Tiago Carrijo, era esse cara seja com seu berrante, seja com suas rimas de rodeio. Hoje, quem diria, Mamulengo é um pai de família responsável e devotado. Mas, de uma maneira sempre será o mesmo, animado, sertanejo e grande amigo. O vídeo abaixo é uma das músicas que me lembrar esse bom amigo que não vejo a tanto tempo. (e não, não é, standing outside the fire).

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Carros, bicicletas. Direção e confusão

>> terça-feira, 15 de junho de 2010

Agora a pouco fui a um hipermercado aqui perto de casa (sim em Pirapora agora há um hipermercado) numa das raras avenidas desta aprazível cidade que possuem ciclovias, sem dúvidas um avanço já que o método de locomoção mais comum da população local é a bicicleta.

Elas dominam as vias, seus condutores não têm o mínimo respeito pelas regras de trânsito. Trafegam na contra-mão, formam verdadeiros paredões que obstruem as vias enquanto conversam animadamente indiferente aos carros, impertinentes, que pretendem trafegar nas vias asfaltadas. É certo que há uma tensão nesse convívio aqui, distinto do que há nas cidades maiores como Brasília, como por exemplo, onde motoristas colocam a vida de ciclistas por que trafegam em altíssima velocidade, por vezes avançando sobre os acostamentos ou sobre os atletas que treinam nas estradas.

Mas, volto a minha história aqui no interior onde algumas realidades são distintas, quando estava perto da entrada do hipermercado sinalizei a entrada a esquerda, três moças vinham pela ciclovia e assumi que elas parariam na entrada do mercado no exercício da prudência, da auto-preservação. Contudo, não foi o que ocorreu e quase ocorreu um acidente quando entrei, por que também fui imprudente, afinal deveria ter assumido que elas não parariam, primeiro por que é o mais correto – direção defensiva – e pelo histórico dos condutores de bicicleta daqui.

O entrevero, graças a Deus, não teve maiores conseqüências além de um susto que compartilhei com as moças, um daqueles sinais de alerta para nos lembrar da responsabilidade que é conduzir um veiculo automotor, mesmo por que é dever do veículo maior proteger o menor.

Uma das moças veio em minha direção no estacionamento do hipermercado, creio que para tirar satisfação, talvez para exorcizar seu susto. Contudo, ao ouvir meu pedido de desculpas em um tom de voz calmo, educado e baixo. Ela não teve a chance de “desopilar o fígado” e ficou desconcertada por que esperava o bate-boca. E tentou uma lição de moral, dessas um tanto patéticas, mas acho que ela precisava disso, não refutei, afinal creio que errei.

Não sei se elas algum dia leram essas linhas que são de uma auto-análise sincera de um momento de distração que poderia ter sido grave, mas o interessante foi que a mesma moça que tanto se indignou comigo, e se desconcertou com meu pedido de desculpas, tanto que esperou minha saída da loja, para tentar novamente uma bronca. O que ela não teve sucesso e depois disso tudo, elas saíram do mercado conversando lado a lado na avenida, provavelmente a me xingar de tudo quanto é nome, ignorando a ciclovia.

Achei irônico e uma ironia bem cotidiana. Tão preocupadas em me repreender acabaram a se expor ao perigo, mas uma mostra que é preciso antes de tudo cuidar de si mesmo. Antes de querer se ocupar dos outros. Egoísmo? Não. Sobrevivência da espécie.


Uma última nota dirigir em Pirapora exige um grau elevado de paciência com as bicicletas e pedestres que ocupam as vias. 

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A velhice precoce

>> terça-feira, 4 de maio de 2010

Eu nasci no ano do Senhor de mil novecentos e oitenta aos dias 20 do mês de novembro, portanto tenho 29 anos, o que significa que demograficamente eu sou um jovem adulto.

Contudo, ultimamente tenho me sentido velho, cansado, não fisicamente, mas mentalmente, creio que isso se deve não só ao meu auto-exílio no interior, mas a fadiga daqueles que aproveitaram a vida intensamente.

Cada vez mais vivo uma vida envolta em livros e acho que isso tem colaborado para o “envelhecimento” precoce. Ando com fadiga de barulho, de multidões, de “meninos” com seus carros cheios de patéticas caixas de som, a ouvir lamentáveis canções, que outrora eu gostava muito e de certo modo ainda gosto, ainda que em volumes que não provoquem danos a audição. Exceto na época do carnaval, por que ai a minha veia brasileira fala alto.

Bom e para piorar esse cenário ainda tomei uma vacina para a gripe A (H1N1), há de se convir que isso não ajuda quem está a se sentir velho. O paradoxal é que me sinto velho, mas as idéias estão renovadas... Assim tudo bem então!

P.S: Dedico essa postagem ao também velho precoce Rodrigo Lepsch (vulgo Alemão). 

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Uma Rainha, uma senhora rainha

>> quinta-feira, 18 de março de 2010

Lula está no Oriente Médio e tenho abordado isso é em Coisas Internacionais. Hoje ele esteve na Jordânia e esteve perto de uma das mulheres que eu mais admiro pessoalmente a Rainha da Jordânia, Rania Al Abdullah. Um exemplo de mulher moderna, elegante que pode ser muito bom para o mundo islâmico. Seu trabalho foi premiado recentemente em um evento da FIFA. A Rainha é figura fácil em encontros como o de Davos. Mais informações podem ser encontradas em sua página.


 Ok, fora isso tudo. Que mulher linda, elegante e sem dúvidas uma rainha de filmes da Disney. 

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A lata e a civilidade

>> sábado, 6 de março de 2010

Outro dia fui ao escritório regional da FUNASA levar minha mãe para fazer um desses recadastramentos que os aposentados são obrigados a fazer. Fiquei dentro do carro do lado de fora, ouvindo o rádio e esperando que lá dentro minha mãe resolvesse os trâmites. Ouvia no rádio uma voz feminina um tanto irritante que ficava a tagarelar sobre as ações da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, com certeza uma reportagem gravada em Belo Horizonte e enviada para as rádios do interior. Enquanto ouvia a ladainha de projetos e seus autores a falarem como esses projetos mudariam completamente a vida das pessoas.

Fiquei ouvindo os relatos políticos e olhando a rua o vai e vem de uma rua que para os padrões de Pirapora pode ser considerada movimentada do outro lado do cruzamento em que estava há uma boca de lobo, um bueiro com a sua grade de proteção devidamente roubada. Não sei por que fiquei absorto hipnotizado pela voz esganiçada que saia dos alto-falantes de meu carro e observando aquele bueiro. Pensando em como aquele buraco aberto em um canto da rua é perigoso e útil para cidade. O tédio da espera nos coloca a pensar sobre cada coisa, não?!

Nesse momento noto pelo retrovisor uma bicicleta que carregava um jovem, com boné de tricô particularmente feio, ele pilotava despreocupadamente sua barra circular vermelha, maltratada pelo tempo e pela falta de conservação, entre uma pedalada e outra se refrescava com uma lata de refrigerante que confesso não reconheci a marca. Ele tinha a aparência de ser morador de um bairro mais pobre, resisto aqui a empregar o termo humilde por que mesmo com sua aparente falta de dinheiro havia algo de arrogante naquele jovem. Não me fixei muito em sua passagem ao meu lado e voltei a olhar o relógio, como se isso acelerasse a lida com a burocracia que se passava dentro do prédio público.

O rapaz passou pelo cruzamento ao melhor estilo “roleta russa” sem parar, apesar do intenso trafego de caminhões das inúmeras lojas de material de construção que se encontram nessa região. Nesse momento ele atirou a lata mirando justamente o buraco desguarnecido da boca de lobo, mirando, parecendo esforçar-se para acertar a lata lá.

Eu fiquei pensando por um instante na falta de civilidade e depois comecei a pensar que esse rapaz provavelmente, lida com problemas relativos a enchentes e sofre na pele as conseqüências daquele ato e fiquei ali paralisado pelas conjecturas e tendo aqueles momentos fatalistas em que dizemos é por isso que o país não vai para frente. Nesse momento um homem que aparentava ter mais de 70 anos, mas que poderia ter por volta de 50, com uma camisa aberta que expunha sua barriga desproporcional ao resto de seu corpo. Vestia uma bermuda preta, sandálias surradas e andava com o andar lento de quem luta com o sol de uma hora da tarde. Subia a rua em minha direção, enquanto eu ainda conjecturava ao som esganiçado da repórter.

Ao chegar ao cruzamento esse senhor com todo seu andar cansado, simplesmente agachou e recolheu a lata e a jogou numa lixeira e entrou em sua casa. E ai percebi que toda minha elucubração sobre a natureza dos atos e por ai vai não ajudou em nada a situação, toda a minha “revolta” cívica se tornou patética diante daquele homem que pensou certamente tudo que pensei, mas agiu e recolheu a lata.

Voltei para casa com isso na cabeça...

...Ele simplesmente recolheu a lata!

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